Devo confessar, quando alguém me chama na conversa no direct para falar que tem herpes, que acabou de descobrir, que está desesperado pensando na sua vida acabou e tudo… Eu chego a ter um embrulho, eu não gosto muito de me sentir responsabilizada pelo psicológico da pessoa, de sentir que sou eu que vou libertar desta agônia. Me vem logo a dúvida: será que terei cacife pra ajudar essa pessoa?

Mas ainda assim encaro. Eu entendo, afinal, eu senti isso, sofri isso e é por isso que eu faço questão de conversar com a pessoa (mesmo com medo de não fazer diferença, de não ser capaz de ajudar) e o mais rápido possível, mas às vezes simplesmente não acontece do jeito que a gente quer, né? Somos seres humanos, temos compromissos, então acontece de não atender imediatamente…

O medo, o desespero que a gente sente no momento que descobre que tem a herpes. Esse medo que aflora, na verdade, são todos os estereótipos que acabamos tendo sem nos ligar. Porque dá para viver com ela! Não é um bicho de sete cabeças, mas a gente sabe que existe aquele estigma. E junto com ela vem um enorme preconceito…

Mas com o tempo a gente aprende que não é bem assim. Tudo dá para viver e conviver.

Eu acho que a minha ficha só caiu de como eu devo encarar herpes, foi quando eu classifiquei/comparei ela com a diabetes.

Tenho familiares diabéticos. Um deles é meu pai. Assim que ele foi diagnosticado teve que ficar dois dias internado, não foi um momento fácil, e um baque assim, sem esperar é bem forte, né? Ele precisou fazer uso de insulina. Passou dois anos aplicando insulina no corpo, tomava quatro injeções por dia, mas com o tempo, a situação foi melhorando já que cuidava direitinho. Fez toda dieta certa e conseguindo todas as recomendações médicas.

Do mesmo jeito eu tenho encarado a herpes. no começo foi difícil, foi dolorido… Fiquei pensando: como eu vou me relacionar com outras pessoas a partir desse momento? Mas depois que passa aquele susto a gente respira, vai absorve e segue em frente.

No início você se sente muito perdido. Normal isso! Porque existe muita informação e ao mesmo tempo informação nenhuma na internet, então você fica perdido nas coisas que lê por aí. Eu não sei vocês, mas eu tive 500 mil perguntas para fazer para ginecologista, porém quando chegou na hora eu travei e não consegui fazer todas. Com isso, tive que voltar mais duas vezes para poder retirar toda dúvida (toda não, 90%. Rs). Uma parte da dúvida você vai tirar com o médico, a outra parte você vai descobrindo observando como o seu corpo reaje.

Em coisas que cada corpo tem uma reação diferente do outro Então você percebe como é que o seu reaje.

E a partir do momento que você passa se observar passa a se compreender melhor. Você passa a ter uma visão totalmente diferente do corpo, mudar hábitos. Afinal, não queremos que tenha reincidência. E quando você aprende a identificar essas coisas, vai ver como seu corpo se comporta. Nossa, é muito diferente, é outra coisa. É muito bizarro porque, diferente dos homens, nós mulheres temos com essa herança ué absorvemos na infância que não queria que não devemos nos olhar, nos tocar, de que devemos ter comportamento de “mocinha”, “certinha”, de tem que ter educação. Isso insere na nossa mente.

Eu acho que eu nunca olhei para minha vagina. E hoje eu periodicamente olho para ver se tem ou não, se tem alguma alteração porque só assim pra prestar atenção de como o corpo se comporta.

Por exemplo, já sei que quando minha menstruação tá vindo, quando estou na TPM, é quando tenho mais chance de ter reincidência.

E eu falei isso tudo somente pra dizer, não é o fim. Essa agonia vai passar, esse sentimento vai melhorar e você vai seguir com a sua vida. Então, siga o seu caminho… E nada de desespero! 😘